Fugindo da polícia
Policiais e fotógrafos em um mesmo local é sinônimo de problemas. Não só pelo fato de um não gostar do outro, por achar que o outro sempre atrapalha. Mas também porque, se os dois foram chamados, alguma coisa que vale ser registrada nos jornais e nos boletins de ocorrência aconteceu.
No meu tempo de repórter de Cidades, no Estadão, aprendi a relacionar a presença desses dois profissionais à fatos que se transformavam no assunto do dia seguinte. Como o confronto entre as polícias Civil e Militar, de ontem, em frente ao Palácio do Governo de São Paulo. Se você olhar os jornais de hoje, com certeza verá algum fotógrafo no meio da confusão.
Depois que me tornei especializado em automóveis parei com a cobertura desse tipo de notícia, mas não me deixei de presenciar encontros entre policiais e fotógrafos. Agora mais de perto. Porque, se antes eu era apenas um observador, para os policiais, agora, eu sou "comparsa" do fotógrafo. Ou seja: duas pessoas atrapalhando o trabalho dele. Isso porque, normalmente, eu estou dirigindo o carro que está sendo fotografado.
O que mais irrita os policiais são os carros com as placas cobertas. E, obviamente, a gente sempre esquece de retirar as placas da revista, depois de feitas as fotos. Uma vez na Alemanha, mais precisamente em Munique, em um local todo monitorado por câmeras, um policial mandou encostar, pediu os documentos, e disse que não era permitido rodar com a placa encoberta. “Por esse motivo vou apreender o seu carro”, falou. “Mas foi só para tirar umas fotos”, eu disse. “Nos vimos. Mas, depois das fotos, vocês rodaram 18 km com a placa escondida”, afirmou o guarda. Ele não queria levar o carro, um BMW 120i, e aceitou o nosso pedido de desculpas. Mas valeu o susto.
Muitas vezes são os moradores dos locais que chamam a polícia. Eles estranham a nossa movimentação. Até porque a gente pára em áreas como praças ou estacionamentos abertos, fica alí em volta do carro. Depois cobre os vidros com panos -- às vezes pretos, às vezes, brancos -- para fotografar o interior da cabine.
No dia seguinte ao atentado de 11 de Setembro, eu e o fotógrafo Marco de Bari, estávamos na Alemanha, para variar, desta vez em Frankfurt com um Bentley Arnage vinho maravilhoso, e as pessoas que, até momentos antes da nossa chegada pareciam todas dentro de suas casas, começaram a se inquietar. Algumas saiam nos portões, outras só espreitavam por trás das cortinas. Não demorou para que um BMW Série 5 prata e verde da polícia aparecesse para checar o que estava acontecendo.
Se o policial é um apaixonado por carros, a conversa costuma ser mais amistosa. O dia em que fotografamos o Maserati GranTurismo que está na edição novembro (que fechou hoje!) paramos em uma praça de Ghiglia, na região da Emília Romana, na Itália, e logo surgiram dois policiais, desta vem em um Fiat Brava azul e branco, e um deles foi logo perguntando: “E la mia questa macchina? (este é o meu carro?)”. Mesmo assim, ele quis saber o que estávamos fazendo. Depois, contemplou o Maserati e se despediu dizendo para cuidarmos bem do carro.
Até hoje, ninguém foi preso e nenhum carro foi apreendido. Mas sei do caso de um fotógrafo (que está viajando e não me autorizou a contar) que passou por um interrogatório e por um longo chá de cadeira por estar fotografando, sem saber, dentro de uma área militar. Depois desse dia, ele evita dar motivos para conversas com policiais.
Amaciar o motor é coisa do passado
Comprei uma picape Strada e tenho uma grande dúvida a respeito do amaciamento. É necessário? Como amaciar? Por quanto tempo? Como o amaciamento influencia (consumo, retomada)? – Edson Favetti
R.: Essa questão é polêmica porque alguns fabricantes dizem que ele é necessário e outros dizem que não. A Fiat faz parte do grupo dos que não fazem qualquer recomendação nesse sentido. Quando a fábrica recomenda o amaciamento ela o faz por meio do Manual do Proprietário. Você pode (deve) ler o livreto de sua picape inteiro e não vai achar nenhuma menção ao amaciamento.
O amaciamento é o processo de ajuste pelo qual passam as peças móveis de um motor novo, eliminando pontos ásperos deixados pela usinagem e reduzindo o atrito.
Antigamente tratava-se de um período crítico na vida do carro, durante o qual o motorista não podia exigir muito do motor. As fábricas definiam a duração do amaciamento (em quilômetros) e os regimes (ou velocidades) máximos permitidos nesse período.
Mas, hoje em dia, com o aperfeiçoamento dos métodos de produção das peças, o amaciamento não é mais necessário.
A Fiat entende que o usuário comum vai usar o carro em condições normais, na cidade e na estrada, sem causar danos ao motor. Até porque, os motores modernos têm limitadores de giro que protegem a integridade das peças.
Um motorista comum só “consegue” estourar o giro de um carro se esticar demais uma marcha e errar a troca. Por exemplo: ele está em quarta marcha, eleva o giro até o início da faixa vermelha (cerca de 6000 rpm, no caso da Strada) e, na hora de passar a quinta marcha, ele se engana e engata a terceira. O giro que estava em 6000 rpm sobe para 7000 rpm ou mais, alterando a sincronia que existe entre as peças móveis do motor e acarretando danos às peças.
Mas, nesse caso, o dano ocorre com qualquer motor, novo ou já usado.
E a GM?
Gostaria de saber se a crise da GM pode de alguma forma desvalorizar os carros da Chevrolet. Tenho um modelo dessa marca e até já penso em trocá-lo. - Isabel Cristina de Macedo - São Leopoldo (RS)
R.: Você deve estar falando das dificuldades que a GM enfrenta nos Estados Unidos. É verdade, a empresa está passando por uma fase difícil. Já estava ruim antes, agora, com a crise econômica do país (ou se preferir, mundial), parece que tudo ficou mais difícil. Mas antes de vender seu carro pense bem.
A GM é uma das maiores empresas do mundo. Apesar das dificuldade, ela continua investindo no futuro, apresentando novas tecnologias, como o Chevrolet Volt, que estará no Salão do Automóvel de São Paulo.
No passado recente, temos pelos menos dois casos de fabricantes de automóveis que estavam em situações ruins e se recuperaram. Estamos falando da Fiat e da Nissan.Crises passam.
Além disso, seu carro usado não vai desvalorizar mais do que o normal de uma hora para outra (caso a crise venha a se agravar). O mercado de automóveis não é sensível como as bolsas de valores.
Se você gosta de seu Chevrolet, desfrute dele e fique tranqüila.
Polo Sedan ou novo Voyage?
Gostaria de saber qual a melhor compra. Eu quero o novo Voyage. Minha esposa não abre mão do Polo Sedan. Qual a sua opinião?
R.: Antes de analisar os produtos é importante dizer que existe uma diferença grande de preços entre eles. Os dois são oferecidos em três versões. O Voyage, 1.0, 1.6 Trend e 1.6 Comfortline. O Polo Sedan, 1.6, 1.6 Comfortline e 2.0 Comfortline.
Digamos que a comparação seja entre as versões que mais se aproximam em preço: Voyage 1.6 Comfortline (39.430 reais) e Polo Sedan 1.6 (45.300 reais).
O Voyage vem com direção hidráulica, vidros dianteiros elétricos e banco bi-partido como principais itens de série. E o Polo vem com direção hidráulica, ar-condicionado e computador de bordo.
O Voyage tem o acabamento mais trabalhado, com direito a frisos cromados nas portas e nos mostradores do painel; enquanto o Polo é mais básico, sem frisos e maçanetas pretas.
O Voyage é um produto mais novo. Tem sub-chassi na suspensão dianteira. Mas também é mais simples na construção. O Polo, apesar de mais antigo, tem acabamento de melhor qualidade e uma estrutura mais sofisticada (e robusta), com solda laser no teto, etc.
Os dois têm o mesmo powertrain e são construídos sobre a mesma plataforma. Por isso, o desempenho e o espaço interno de ambos são muito parecidos.
Seguro, peças, assistência, garantia e custo de mão de obra também se equivalem.
Pelo conjunto da obra, eu ficaria com o Polo -- opção que, no seu caso, ainda seria do agrado da esposa.










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